niedziela, października 14, 2007

sinápse

Tantos textos surgem em pensamentos, como palavras imateriais não-escritas de verdade. A caneta parou de funcionar.

***

O eco. Um cachorro late, árvores agitam-se, folhas raspam no chão e crianças riem. Tudo ecoa nas ruas e vielas de meus pensamentos.

a tarde

Adiante uma hora o seu relógio e descobrirá que acordou às 14h hoje. Ouça Cazuza e entenderá melhor este post.


Cazuza estava tocando no rádio. Um acorde forte, a bateria pesada, ritmos rápidos. As músicas são tão belas e combinam tanto com o que vivemos... Mas eu não faço showzinhos e não tenho cartão de crédito.

***

O velho apartamento cheirava agora a quarto de hotel, quando a viagem é longa e agradável: o banheiro era como quando chegamos, com as expectativas do que encontraremos, e a sala era como quando partimos, sabendo que nada mais ficará além de boas lembranças e fotos bonitas, e que os próximos hóspedes continuarão a nossa história do ponto de onde deixamos.

retina

A luz crepuscular refletia em meus olhos apenas o contorno das coisas. Alguém me falava algo, e era tão nítido quanto estradas rurais a noite, quando dirigimos sem farol. Belos contornos! Esbranquiçados pela lua, cujos raios entravam por alguma fresta de janelas escondidas nalgum outro canto, longe do meu quarto.

***

Maldita seja a minha câmera! Quando será que conseguirei apreender o roxo céu da manhã e o azul acinzentado do início da noite?

frags. 3

A comédia de Godard não poderia ser mais bela que os beijos roubados por Doinel duma Cristina. Por que o glamour fugiu-nos? Certamente que não foi a culpa de jovens burgueses maconheiros (vulgo playboyzinhos maconheiros de merda).

***

Lutamos por causa do Amor e nos acovardamos por culpa do desprazer de lutar.

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Viver na lacuna é correr para lugar nenhum. É melhor saber que não chegaremos a nada do que duvidar da existência do fim.

***

O frio tem um cheiro denso e entorpece, e o calor se demonstra através do barulho de sapatos sobre um tablado de madeira.

pés

Nada mais macio que os passos de um gato sobre grossos tapetes!

sábado 13

escrito em 13/10/2007 por La Maie

Com o tempo a gente esquece e relembra aquilo que mais marcante foi na juventude. Pecado pode ser não sentir mais o que todos os dias estava presente em nosso corpo. Hoje foi, para mim, uma dessas vezes em que revivemos aquilo que estava à flor da pele durante muitos dos meus anos de juventude. Ainda sou jovem, e fico feliz que a minha infância foi resguardada deste sentimento físico. Hoje acordei com aquilo que me acompanhava nas manhãs colegiais: a vontade de vomitar. E a idéia de me reacostumar com a dor ansiosa que sai da boca do estômago e corre direto ao esôfago voltou à minha cabeça, como se o corpo quisesse mesmo é expelir emoções e pensamentos.

piątek, października 12, 2007

1.2

parabéns! parabéns! hoje é o seu dia, que dia mais feliz!

12 de outubro. o meu, o seu, o NOSSO dia!! :)
felicidades para todos nós! e um bom dia das crianças a todos!



+ Paulo Autran.
++ Ontem: Renato Russo

fragmentos

Dois fragmentos de um texto acabado:

"Hoje eu percebi como é difícil se desfazer de coisas velhas. O valor emocional que elas carregam, momentos que nos fazem lembrar... Ah! Quão felizes éramos um dia! E que risadas doces demos por sobre essas coisas! Dá até para ver a marquinha feita pelo ácido de lágrimas salgadas..."

"O cheiro antigo do perfume.
As saudades não bastam sobre estas coisas todas. É necessário ainda muito limpar, o armário já está quase vazio."

error

Eu não sei se já falei aqui, mas em todo caso, é bom lembrar-vos:
erros de ortografia, gramática, muitas vezes são propositais. Nem sempre a gente fala como escreve, ou escreve como fala. Mas às vezes, sim.

fogo !

a seca secou o suor que escorria.

muros, estradas, casas, condomínios.

faz bem desmatar !

...

Porque tudo o que eu tenho cabe em dois porta-malas pequenos.

poniedziałek, października 08, 2007

"Neste país é proibido sonhar"

Andar de cima:

Vrrrrrruuuuuuuuuuóóóóóóóeeemmmmmmm.....
Tum toc tum. TUM. Toc tum toc.

Andar de baixo:

- Atenção! O teto vai cair!
- E se cai o teto, foi o chão que desabou!
- Ah! Mas isso já aconteceu faz tempo!
- Como assim?!
- É assim: nós só temos teto, porque o chão foi-se embora. O piso está em cima. Apoiamos-nos com a cabeça no duro desse gesso.
- Vocês então voam?
- Flutuaríamos... Mas graças a Deus temos o teto, que aperta e comprime nossas cabeças, e não nos deixa chegar aos céus.

malditas sejam as núvens, carregadas de sonhos úmidos, impaupáveis, inapreensíveis.

***

Eu improviso



Em casa: pessoas reformam o apartamento de cima.
Janela aberta: buzinas, motores, a obra do metrô. Oficinas, marcenarias, mecânico.
Um prédio está sendo construído.
A rua: as mesmas pessoas. - Olá! - Você por aqui?! ... Carros todos estranhos, de passagem.
No trabalho: um estúdio. Paredes sendo montadas, tábuas de madeira marteladas, o cheiro de tinta.
A vida de quem faz teatro e não atua. A cidade de quem desconhece o habitual e só enxerga o teatro da vida dos outros.
O mundo é cenário; atitudes interpretação; pensamentos são ensaios; sentimentos o improviso.

***

Eu vou ali um pouco brincar com meus amigos, cantar alguma coisa, encher a cara e... Talvez depois... Só depois eu te tiro pra dançar... (Se você quiser, é claro!)

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É sempre do avesso que se fazem as frases, as cenas, os sentimentos e as relações. Como se estivessem ali para nos lembrar: não, o tempo não é linear e a vida quer fugir da rotina.
Enquanto isso, a retina esconde os atos impensados e os impulsos calculáveis.

***

Mas que velocidade toda é essa?! É São Paulo, que se esconde por trás de barulhos, e cheiros, fumaças, multidões.

***


A prosa é o caminho do equilíbrio buscado por poetas desamorosos. Os prosadores são pedras. Os poetas o vento.
A água evapora no ar, o fogo derrete o sólido.

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As idéias existem e se perdem e somem quando a alma materializa-se por sob a ponta de uma caneta: palavras não são mentiras; a realização de idéias sim.

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O concreto e o piche e o cal podem ser resumidos no latido seco do cão raivoso. Ele agora chora, com a voz rouca de tanto fumar poluição.

cont.

Maldito pedaço de você que em mim fincou, ferindo-me lenta e cruelmente. E agora sangro no entorno deste pedaço, e você nem viu... Não está mais aqui. Foi procurar-se sozinho, tentar juntar os próprios pedaços perdidos no deserto, resultantes da explosão de si mesmo no momento errado: quando eu estava ali por você.
Agora estou machucada, talvez letalmente, com um pedaço de você cravado em mim, e não posso recolher as outras partes suas no deserto da alma de todo mundo.

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O vazio torna-se verdade quando se olha para o horizonte e o que se vê é a fumaça cinza misturada com o opaco azul do céu marrom.

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O nascer do sol não é vermelho, mas roxo. Roxo como os teus olhos quando sorriste pela primeira vez.

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Foi quando comecei a escrever que alguém me interrompeu para dizer:
- É hora do almoço! A comida ta na mesa!
E então me lembrei que ainda estamos vivos, e a lembrança transformou-se em pensamento, e coloquei-me a escrever novamente, do ponto de onde tinha parado: a vaga lembrança de ainda viver.

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Escrevi seu nome, como Drummond melancólico, com o arroz e o feijão... Com o macarrão da sopa de letrinhas. Faltou-me infelizmente uma letra (algo comum de ocorrer a jovens poetas): a letra E que utilizei para iniciar a frase.

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Romântica, não hesita em olhar o céu vagamente azul e nublado, e pensar mais uma vez: Klopstock!

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O Amor só existe para aqueles que nunca o sentiram.

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Esqueci-me do que ia dizer. Menti no que escrevi. Escrevi o que acabei de esquecer.

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Ontem escrevi uma poesia tão triste que, ao invés de afago da alma, tornou-se um veneno para corações sensíveis, e cujo efeito é tão tentador que se faz rapidamente, antes mesmo de nele repararmos: ele enrijece quem quer que leia o poema, tornando qualquer um entorpecido e lascivo.

***

Vivemos ainda!

poniedziałek, września 10, 2007

criatividade

Era uma vez, há muitas e muitas cores daqui, um morro cujo cume era tão branco e tão belo, coberto com neve e raios de sol, que mais se assemelhava a uma pintura do que a uma montanha real. Era feito de um tipo de pedra especial, muito acinzentada, e que brilhava como espelhos quando refletida na quente água de dias de primavera. A Natureza ali vivia intensamente, acordando todos os dias e noites para as estrelas e para o Sol (um deus cujo corpo não pode ser visto, senão por uma águia, e cujo sopro pode ser sentido em qualquer lugar deste mundo gigante).

Neste dia, o vento soprava de cima da montanha, trazendo para os outros seres vivos - e para os não tão vivos assim também - um cheiro de creme, que, ao tocar em nossos pelos com o seu frio e seco pensamento, fazia-nos sentir aquele doce sabor da neve que nunca se acabava em seu pico. Uma pequena borboleta saía de seu esconderijo dentro da imensa caverna gelada do morro, e batia as suas asas coloridas que brilhavam junto com a montanha e os raios de nosso deus Sol.

O movimento feito pela borboleta ao agitar suas asinhas podia ser tão facilmente capturado por nossos quatro principais sentidos que pareceria muito belo tampar os olhos, fechar a boca e o nariz, e sentir o seu barulhinho correndo pelos ventos gelados. Ela seguia voando em tranqüilidade por entre árvores, pequenos arbustos e campos gramados, e foi só quando viu abaixo de si as águas de um pálido lago que se contentou e começou a voar mais devagar. Era suave o modo como se movia, querendo provavelmente saciar a sua sede (se em cores próximas da nossa as borboletas não bebem água, nesta elas bebiam...), por sobre o lago que refletia o cume do grande morro.

Por um instante poderíamos crer que a borboleta estava se mirando na transparência das águas do lago. De repente, como que de surpresa, um peixe saltou muito alto e comeu a pobre borboleta. Ela, no entanto, não se chateou com a atitude aparentemente traiçoeira do peixe. Muito pelo contrário, estava tranqüila como todos os habitantes daquela harmoniosa Natureza, regida pelo grande Sol, por ter seu destino se cumprido de maneira suave e calma... Podendo, assim, ter aproveitado os deliciosos aromas de sua vida, e a calorosa compaixão de seu Astro (o Sol) por todos aqueles para quem seus raios brilhavam todos os dias.

desencargo de consciência

DO PORQUÊ DE NÃO TER MONTADO UMA BANDA DE ROCK



A nossa geração foi incapaz de produzir rock’n’roll. Nascemos no abismo de um muro quebrado, no vão entre duas realidades opostas. O nosso amadurecimento se deu quando prédios e aviões foram sugados pelo chão, levando consigo o último lapso de esperança que brilhava nos olhos de nossos pais. Estes, por sua vez, ao invés de nos mostrar o caminho de volta do labirinto, só reclamavam da nossa passividade. Gerações anteriores, que haviam visto revoltas e guerras e revoluções (e até um mundo melhor), agora nos desprezavam, achando que nossos olhos estavam fechados. E talvez estivessem realmente... Éramos surdos, ouvíamos bate-estaca (músicas geradas por computadores), buzinas, lixo... O mundo era um aterro a céu aberto.

As nossas drogas - ecstasy, videogame, internet - não nos permitiam produzir; impeliam-nos a uma ação artificial, a uma comunicação virtual (em todos os sentidos); simulavam um movimento que ia se tornando aleatório e anárquico. Palavras expressas em vão. A cultura em massa vulgar e crianças sem sonhos. Toda uma geração vazia - os anos 90. Não pertencíamos a ela. Quem somos nós? ‘A vida é assim mesmo’...

Como poderíamos produzir rock’n’roll se os nossos olhos estavam assim fechados e os ouvidos atormentados? O movimento nos chamava e nos escondíamos atrás dele. Passivos. Corríamos para ele. Apáticos. As máquinas nos desiludiam, porém já não era possível viver sem elas. ‘A verdade é cruel’.

A nossa geração não pôde produzir rock’n’roll, nem política; nada. Era o que diziam os velhos, orgulhosos de seus tempos nostálgicos. E, enquanto isso, essas malditas handycams baixavam de preço e se facilitavam. O DVD barateou a exibição cinematográfica. ‘Ver o filme que quiser em casa!’. Se éramos ainda muito pequenos para refletir sobre os 50 anos do rock sendo comemorados, ouvindo Xuxa e Backstreet Boys, já nos encantávamos com o mundo do cinema Disney. 100 anos de cinematógrafo e... Talvez fosse essa a saída. A nossa geração foi incapaz de produzir rock’n’roll, mas esteve no centro do boom do cinema universal.

czwartek, sierpnia 16, 2007

brainstorm

Em quase quinze minutos, duas idéias ótimas. Elas se foram, no entanto, da mesma forma como chegaram: são a água do chuveiro retida em nossas mãos.
Alguns resquícios:

1.

Eu vou exalar os perfumes de minha música,
Eu vou mastigar os seus cheiros e essências,
Eu vou ouvir os vossos gostos,
Eu vou tatear e apreender tuas palavras,
E eu vou enxergar a nossa temperatura.

O teu áspero olfato,
A minha curta doçura,
O nosso louco mundo.


2.

Aos dez-e-oito anos já era grande e bela e perfumada. Tinha gordurinhas escondidas no azul e roxo de sua alma. Eram feitas de abóboras de Halloween e papeis de cera quente. Fora isso, podia salgado o que quisesse, ouvia o doce dos gestos e o amargo das pequenas ações. - Talvez ‘cções’. - Mas eram mudas todas as suas músicas, e desafinava a samba-canção dos namorados. Os seus samba canções, por sua vez, desfiavam como linho, ou se desamaciavam como a seda antiga. Mas era velha, e já parecia ser muito mais importante que o alto pai-criança ou a gordinha mãe-abelha: aos dez-e-oito anos, começou a trabalhar. Seu empregador era o Governo. Nem ainda sabia engolir direito e ocuparia cargo de....... mesária nas eleições!

środa, lipca 11, 2007

Pickpocket (Bresson)

Review sobre o filme Pickpocket, do diretor Robert Bresson, escrita para a aula de inglês.


Pickpocket

The place is a jockey club full of wealthy people watching a horse race; the camera closes up in a thin ill-looking man who is about to quietly steal money from a lady’s purse. That’s how the film Pickpocket, by Robert Bresson, begins: with a tension felt by the main character, who shares his most subtle emotions with the spectator from the beginning until the end of the movie (what makes it even more unique).

Far away from the wafer-thin plot films, Pickpocket is filled with strong scenes, which show us the depth of human relations and how can people deal with their own life problems. With an existentialist plot and a unique way of filming, Robert Bresson takes the spectator through a strange story, full of new situations and the redemption of almost all those involved in it. On the other hand, however, he shows us that nothing is what it looks like and that people always have something to hide from society.

Everything could be said about Pickpocket, except that it is a far-fetched movie. Although its story seems to be similar to others, there is no place for corny scenes or mediocre characters in the film. And it is not pretentious at all - it is filmed in an atmospheric way, with the interpretation of an excellent non-professional actor, who could convince us that the character is he himself, making us almost believe that the whole movie is a documentary, and not a fiction.

Considered one of the best films ever shot, Pickpocket is really unforgettable. It makes us think about life and society, while gripping our attention to details we don’t usually think of. It is not by chance that Robert Bresson has influenced many good younger directors, such as Jean-Luc Godard or François Truffaut, and that his best movie, Pickpocket, still touches us in a deep way.

(words: 312)

piątek, czerwca 29, 2007

Compaixão

Acho que vocês já perceberam que não tenho escrito nada novo, e somente postado textos de outras pessoas. É a falta de tempo.

Recebi um e-mail hoje muito bom, com um texto do Rubem Alves. Procurei ele aqui na internet, pra colocar o site onde foi publicado este texto, mas não encontrei. Me perdoe, Rubem Alves, por não linkar o seu texto! Muito anti-eticamente, vou então colá-lo aqui.
É um texto curto, fácil e gostoso de se ler, e que deve ser pensando... Isso eu deixo como tarefa para vocês!


"Meu coração fica junto ao coração dela..."
(Rubens Alves)

"A boca fala do que está cheio o coração": esse é um ditado da sabedoria judaica, que se encontra nas Escrituras Sagradas. Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para se chegar ao que o coração sente. Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve.

Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de onze anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado fico pensando e falando sempre a mesma coisa.

A Camila estava na sala da televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: "Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela..."

Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama "compaixão". Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer "sofrer com". Não estou sofrendo. Mas vejo uma pessoa sofrer. Aí eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente. O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas se me faltar o amor, nada serei. Porque posso dar com as mãos sem que o coração esteja a sentir. A compaixão é uma maneira de sentir. E dela que brota a ética. Alguém foi se aconselhar com Santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo: "Ama e faze o que quiseres." Pois não é óbvio? Se tenho compaixão nada de mal poderei fazer a quem quer que seja.

Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: "Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui". Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que "em tudo quando olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa passo..." Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto...

Eu já sabia disso. Mas nunca havia enchido o meu coração ao ponto de doer. Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil.

Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta? Falta-lhes compaixão.

A falta de compaixão é uma perturbação do olhar. Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós. Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário. Mas a tristeza do velho é só dele, não entra dentro de mim. Durmo bem. Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos mas isso não me faz sofrer. Não as sinto como uma ferida na minha carne. Vejo as crianças mendigando nos semáforos mas não me sinto uma criança mendigando num semáforo. Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo.

De que vale o conhecimento sem compaixão? Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons.

Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Mas não me lembro de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho de Janucz Korczak Como amar uma criança . Mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que para se ensinar algo a uma criança é preciso amá-la primeiro. Korczak era um romântico... Por isso o amo...

Aí fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica: "Como ensinar a compaixão? Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam. A classe se reuniu para escolher o seu presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina. Disse-me a Raquel que a faxineira chorou...

Sei que as crianças aprendem com o olhar, o olhar das professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com que Fernando Pessoa olhava o arbusto. Sei também que as estórias provocam compaixão, quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da estória O patinho que não aprendeu a voar. Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si embora o patinho não exista. Lemos estórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a língua mas para ensinar a compaixão.

Mas continuo perdido. Preciso que vocês me ajudem. Como se pode ensinar a compaixão?

środa, czerwca 13, 2007

Breton

Por uma Arte Revolucionaria Independente

ANDRÉ BRETON E LEON TROTSKI

Alguns pontos interessantes do encontro entre estes dois líderes (extraído do site http://www.culturabrasil.org/poruma.htm ) :


  • Uma aliança em prol da civilização, da vida, do ser humano em sua plenitude de manifestações.
  • Nenhuma barreira, nenhum tipo de controle, nenhum limite aos sonhos, à cultura ou à arte, que todos nascem no mesmo lugar.
  • Um libelo pela mais plena e absoluta liberdade de expressão, sem qualquer tipo de amarras.
  • A arte jamais deve ser reduzida a serviçal do capital.
  • Se destruir uma obra de arte é considerado por todas as pessoas sensíveis um gesto hediondo, como classificar o gesto de impedi-la de sequer existir

"O que queremos:

a independência da arte - para a revolução
a revolução - para a liberação definitiva da arte."

wtorek, czerwca 05, 2007

Manifesto Romanz

MANIFESTO ROMANZ

PELA VOLTA À HUMANIDADE

  1. CONTRA O SER HUMANO-MÁQUINA CONTRA HOMENS-MENINOS, PELA CRIANÇA QUE HÁ DENTRO DE TODOS OS HOMENS
  2. CONTRA NAMOROS CLICHÉS
  3. CONTRA RELACIONAMENTOS PASTICHES
  4. CONTRA A CARÊNCIA QUE DESTRÓI ALMAS HUMANAS
  5. CONTRA AS PAIXÕES MIMETIZADAS E HUMANAMENTE CRIADAS
  6. CONTRA AS AMIZADES DECADENTES
  7. CONTRA A LUTA ENTRE CLASSES
  8. CONTRA MANIFESTAÇÕES PEQUENO-BURGUESAS
  9. CONTRA A REVOLUÇÃO PROLETARIADA
  10. CONTRA O MULTICULTURALISMO
  11. CONTRA O PRINCIPIO MASSIFICADOR DA IGUALDADE
  12. CONTRA O IMPERIALISMO PÓS-MODERNO
  13. CONTRA O CONSUMO DE ALMAS
  14. CONTRA O CONSUMISMO TERAPEUTICO